Estimados amigos da FE:

Foi uma satisfação enorme ter estado com vocês no último encontro ocorrido em Manaus, AM. Fiquei contente em conhecer pessoas humildes como muitos de vocês, pois esta qualidade do Espírito Santo independe de posses. O Senhor os preserve assim, e comprometidos com Jesus e Sua missão.Conforme havíamos combinado com Sérgio Azevedo, logo abaixo transcreverei as respostas às perguntas que não puderam ser respondidas durante nosso “Na Mira da Verdade na FE”. Tanto no site do programa (www.novotempo.com/namiradaverdade) quanto no meu (www.leandroquadros.com.br) poderão encontrar respostas e artigos sobre outras questões. Contem comigo sempre. Grande abraço!

– Leandro Quadros.

COMO INTERPRETAR COLOSSENSES 2:16 À LUZ DE ISAÍAS 1:13 E EZEQUEL 45:17?

Tradicionalmente, como igreja ensinamos que os “sábados” mencionados por Paulo em Colossenses 2:16 se referem aos sábados “cerimoniais”, ou seja, festas Israelitas também chamadas de “sábados” (ver Lv 23) pelo fato de haver descanso também em tais celebrações.

Todavia, os teólogos adventistas especialistas no Novo Testamento, entre eles Samuele Bacchiocchi e Wilson Paroschi, têm demonstrado ser mais coerente a interpretação de que a ordem “dias de festa, lua nova ou sábados” se refere a três períodos: um ANUAL (no qual os sábados cerimoniais já estão incluídos), MENSAL (a festa de Lua Nova era mensal) e SEMANAL (sábado do sétimo dia). Isso parece ser apoiado por outros textos do Antigo Testamento onde a mesma sequência mensal-anual-semanal aparece: Isaías 1:13, Ezequiel 45:17, Oseias 2:11, etc.

Isso significa, então, que Paulo estaria abolindo o quarto mandamento? Com certeza, não. Até mesmo teólogos observadores do domingo reconhecem isso, pois Paulo lida com um problema muito específico na igreja de Colossos, que envolvia algumas heresias: adoração a anjos (Cl 2:18) e rigor ascético (Cl 2:20-23).

Nesse caso, Paulo não estaria atacando os dias festivos e o sábado semanal em si, mas sendo contra uma heresia que colocava tais celebrações num contexto pagão, ofuscando desse modo a pessoa de Jesus Cristo.

Vejam o que diz o comentário do teólogo protestante Ralph P. Martin, publicado pela editora Vida Nova em 1984:

“Os dias santos, sejam anuais, mensais ou semanais, também eram assunto de controvérsia em Colossos. Aqui, também, o princípio radical deve ser notado. Paulo não está condenando o uso dos dias e tempos sagrados. Nem tem em mente a observância judaica destes dias como uma expressão da obediência de Israel à lei de Deus e um sinal de sua eleição [...] O que é seu princípio aqui é o motivo errôneo envolvido quando a observação dos festivais santos fica sendo parte da adoração defendida em Colossos como reconhecimento dos ‘elementos do universo’, os poderes astrais que dirigem o curso das estrelas e regulam o calendário. Devem, portanto, ser aplacados” (Ralph P. Martin, Colossenses e Filemon – Introdução e Comentário [São Paulo: Vida Nova, 1984], p.p. 100, 101).

Nossos irmãos evangélicos costumam usar também Isaías 1:13 e Oseias 2:11 para “apoiar” a abolição do sábado. Porém, uma leitura simples e contextual de tais textos revela que Deus está sendo contra não as festividades que Ele mesmo estabeleceu, mas sim contra o culto hipócrita, que desvincula a adoração do estilo de vida.

O QUE TERIA ACONTECIDO SE ADÃO E EVA NÃO PECASSEM? HAVERIA DESCENDENTES?

Com certeza sim, pois, em Gênesis 1:28 (Nova Tradução na Linguagem de Hoje) vemos que Deus deu havia dado a sexualidade e a capacidade de procriação a nossos primeiros pais antes do pecado: “e os abençoou, dizendo: —Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. E tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão.” (Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).

Não sabemos o porquê de a Bíblia não mencionar a existência de Caim e Abel antes do pecado (cf. Gn 3). Porém, é fato que, independente disso, Deus não criou a Terra “para ser um caos, mas para ser habitada” (Is 45:18).

DE ONDE VEIO A LUZ NO PRIMEIRO DIA DA CRIAÇÃO?

Essa é uma pergunta para a qual não temos uma resposta definitiva. Porém, há possibilidades que podem ser apoiadas pelo próprio texto bíblico:

1) Alguns comentaristas, bem como estudiosos criacionistas creem que a luz pode ter vindo do próprio Deus. Isso é perfeitamente possível porque, segundo Apocalipse 22:5, a Cidade Santa não necessita da luz do Sol e da Lua por causa do brilho da glória que emana da Divindade.2) Outros preferem crer que a “luz” veio do próprio Sol. Como isso é possível se os astros são mencionados apenas no 4º dia da criação? (Gn 1:14-19) Intérpretes afirmam que o termo hebraico empregado para a criação dos astros em Gênesis 1:16 também pode significar “fazer aparecer”. Desse modo, de acordo com esta interpretação, Deus teria “chamado” a luz do Sol no 1º dia da criação, e em seguida ter feito com que este grande astro aparecesse de forma mais plena em nosso planeta no quarto dia.

Ambas as interpretações são possíveis. Todavia, somente no Céu teremos a resposta final.

EXPLIQUE A ORIGEM DE DEUS

A Bíblia não ensina que Deus teve uma origem, mas que Ele sempre existiu: “O SENHOR, o Rei e Salvador de Israel, o Deus Todo-Poderoso, diz: “Eu sou o primeiro e o último, além de mim não há outro deus” (Is 44:6. Veja também Ap 1:17).

Gosto da frase que diz: “para entender um gênio, somente outro gênio. Para entender a Deus, somente outro Deus”. Sendo que não somos deuses, é impossível explicar, dentro dos moldes humanos, como Deus sempre pôde existir.

Nem devemos ter essa pretensão. Afinal, como criaturas finitas podem explicar um Ser infinito? Como seres humanos podem explicar um Ser Divino? Como seres corrompidos pelo pecado podem explicar Aquele em que não há “treva alguma”? (1Jo 1:5).

Deus nos convida, acima de tudo, a crer nEle, ao invés de entender Sua natureza (Hb 11:6). Chegando ao Céu, teremos a oportunidade de aprender diretamente com Ele a respeito de Sua sublime e, ao mesmo tempo, misteriosa (Is 45:18) natureza:

“E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior” (Hb 8:11).

POR QUE DEUS QUIS MATAR A MOISÉS? ÊX 4:24

Havia pensado em não responder a esta pergunta. Afinal, a resposta a ela se encontra em meu livro Na Mira da Verdade, vol. 2. Brincadeira – rsrs. Vou lhe ajudar.

COMO EXPLICAR APOCALIPSE 20:10, QUE PARECE APOIAR A DOUTRINA DO INFERNO ETERNO?

Diz o texto: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”.

EM PRIMEIRO LUGAR, precisamos localizar o tempo em que se encontra/ou encontrará o lago de fogo. Para isso, precisamos ler alguns versos do capítulo 20 de Apocalipse:

“Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos” (versos 1 e 2).“Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (versos 7-10).

Atente para as palavras em negrito e veja que o lago de fogo (ou “inferno”, como preferem irmãos de outras igrejas) não existe. Ele existirá após os mil anos, depois que Satanás tentar, juntamente com os ímpios ressuscitados (ver Ap 20:4-6), tomar a Cidade Santa (versos 7-9).

Portanto, a crença de que existe atualmente um lugar de tormento dos ímpios, é antibíblica.

Então, como entender a expressão “dia e noite, pelos séculos dos séculos” que se refere ao castigo do Diabo e dos ímpios?

Precisamos recordar que a Bíblia foi escrita de uma perspectiva hebraica, não segundo a visão grega ocidental. Desse modo, para compreendermos o que realmente o autor inspirado quis escrever, precisamos ter em mente que ele pensava como judeu, não como ocidental. Assim, precisamos recorrer ao restante das Escrituras para sabermos como essas expressões (“dia e noite, pelos séculos dos séculos”) eram entendidas pelo povo de Deus daquela época.

Vejam o que diz sobre o assunto o teólogo Eldon Ladd, reconhecida autoridade protestante, ao comentar Apocalipse 20:10:

“Como um lago de fogo literal pode acarretar tortura eterna a seres não-físicos é impossível imaginar. É óbvio que se trata de linguagem pitoresca descrevendo um fato real no mundo espiritual: a destruição final e perpétua das forças do mal que têm prejudicado o homem desde o jardim do Éden” (George Eldon Ladd, A Commentary on the Revelation of John [Grand Rapids, MI: 1979], p. 270). Por sua vez, o teólogo Harold Guillebaud explica do seguinte modo outro texto controvertido e mal interpretado: Apocalipse 14:11:

“A cláusula ‘não têm descanso algum, nem de dia nem de noite’ (Ap 14:11) certamente diz que não haverá interrupção ou intervalo no sofrimento dos seguidores da besta, enquanto este continue; mas por si mesma não diz que continuará para sempre” (Harold E. Guillebaud, The Righteous Judge: A Study of the Biblical Doctrine of Everlasting Punishment [Tauton, Inglaterra, s.d), p. 24).Destaco que ambos os teólogos não professam a fé adventista e são apenas dois dos muitos que têm abandonado a crença na imortalidade natural da alma e do “tormento eterno”.

EM SEGUNDO LUGAR, é de fundamental importância compreender que a Bíblia ensina a gradação de castigo, ao invés de um veredicto injusto e desproporcional da parte de Deus. As Escrituras não ensinam que todos os pecadores terão a mesma penalidade: “tormento eterno”. Textos como Mateus 11:20-24 e Lucas 12:47, 48 não deixam dúvidas de que cada um pagará no lago de fogo “proporcionalmente” às suas obras (ver Mateus 16:27 e Apocalipse 22:12).

É totalmente contra o sistema de juízo divino dar ao Diabo – o pai do pecado (Jo 8:44), destruidor de vidas (1Pe 5:8) que levou muitos a pecarem – a mesma punição que será dada a um ser humano que pecou durante 80 anos e não aceitou a Cristo. Apenas como um exemplo, seria o mesmo que um juiz condenar um ladrão de galinhas à prisão perpétua, do mesmo modo que um assassino que mata suas vítimas à sangue frio.

Não comentei outros aspectos como, por exemplo, o ensino bíblico da inconsciência durante a morte (Jó 14:21; Sl 6:5; 88:19-12; 115:17; Jr 51:57; Dn 12:2, 2; 1Ts 4:13, etc) até o retorno de Cristo quando ocorrerá a ressurreição para a vida e para a morte eterna (1Ts 4:13-18; Jo 5:28, 29; Ap 20:4-6, etc). Entretanto, este é outro fator a ser considerado na avaliação de Apocalipse 20:10.Para quem quiser se aprofundar neste assunto, recomendo uma das obras mais importantes no meio teológico sobre o tema, escrita por um advogado e teólogo evangélico, Edward William Fudge, na qual ele refuta todos os argumentos imortalistas e reexplica os textos mal interpretados por eles. O título do livro é The Fire That Consumes: A Biblical and Historical Study of the Doctrine of Final Punishment (“O Fogo Que Consome: Um Estudo Bíblico e Histórico da Doutrina da Punição Final”), e foi publicado pela primeira vez em 1982. Pode ser adquirido pelo site Amazon.com

Como não é de interesse que o público evangélico e católico no Brasil conheça o referido material, nenhuma editora protestante ou católica se propôs, até o dia hoje, em traduzir este livro... Afinal, com certeza, esta obra traria muitos problemas para eles...

EM APOCALIPSE 17:3 SÃO MENCIONADOS UMA “MULHER” E UMA “BESTA ESCARLATE”. COMO INTERPRETAR ESSAS DUAS ENTIDADES?

Atualmente, o que de mais atualizado a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem em relação aos livros de Daniel e Apocalipse, são duas obras de Ranko Stefanovic, professor na Andrews University e uma das maiores autoridades no assunto. É de uma delas, o Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation (Berrien Springs, Michigan: Andrews University Press, 2009), que extrairei a explicação a seguir.

Primeiramente, Stefanovic analisa que Apocalipse 17 e 18 estão plenamente vinculados. Enquanto o cap. 17 provê a descrição da Babilônia do fim dos tempos, com o propósito de mostrar a razão do julgamento que recairá sobre ela, o cap. 18 descreve o julgamento em si que, por fim, a levará à destuição.

O termo “Babilônia” (que significa “confusão) é usado na Bíblia como símbolo da rebelião contra Deus (ver Gn 11) e, por isso, se refere a todo um sistema religioso apostatado que confunde a mente das pessoas, impedindo que tenham discernimento espiritual para conhecerem melhor a Jesus Cristo.

O autor também explica que “a linguagem de fornicação”, utilizada em referência à “Babilônia”, é extraída do Antigo Testamento (a Bíblia que o apóstolo João tinha disponível), que utiliza frequentemente do termo “fornicação” para mostrar o relacionamento ilícito e imoral entre Israel e as nações pagãs ao redor (ver Is 1:21; Jr 3:1; Ez 16:26-29; 23:3-30; Os 3 e 4; Mq 1:7, etc).

Desse modo, a imagem dessa união entre a babilônia espiritual do fim dos tempos, com os governos políticos e poderes mundiais do mundo, foi construída a partir dessa imagem fornecida pelo Antigo Testamento.

Agora estamos mais aptos para entendermos Apocalipse 17:3, onde João descreveu a seguinte visão: “[...] vi uma mulher montada numa besta escarlate [...]”. Sendo que “mulher”, em profecia, simboliza o povo de Deus (seja no AT ou no NT – ver Is 54:5,6; Jr 3:20; Ez 16:8-14; Os 1-3; Am 5:2; 2Co 11:2; Ef 5:25-32), tanto em sua fase de fidelidade quanto nos tristes momentos de infidelidade, esta mulher de Apocalipse 17 é a igreja de Apocalipse 12, porém, em sua fase apostatada e paganizada.

As profecias de Daniel 7:25 e Apocalipse 13 e 18:20 apontam para o papado sem, obviamente, fazer referência aos sinceros e devotos irmãos Católicos. Afinal, Deus acertará as contas é com o sistema papal (os irmãos Católicos não têm a ver com a rebelião do papado), segundo interpretação protestante que predominou até o século 19.

Já a besta sobre a qual a mulher está montada simboliza os poderes políticos do mundo que darão força, apoio e sustentação a ela. Essa “fornicação” entre o sistema religioso no final dos tempos e os poderes políticos seculares para cumprir seus propósitos perseguidores (ver Ap 13) será a “gota d’água” para Deus, que a punirá duramente (Ap 18).

Segundo Vanderelei Dorneles em seu interessante artigo intitulado “O Oitavo Rei”, publicado pela Revista Adventista em outubro de 2015, “em Apocalipse 17, com a mulher montada na besta escarlate, o foco parece ser a relação entre a Igreja e Estado [...]” (p. 38).

Por isso, você e eu, amigo leitor do site da Federação dos Empreendedores (FE), com o amor de Jesus Cristo no coração e na vida (cf. Jo 13:35; Mt 5:13-16), e carinho em nossas palavras (2Tm 2:24-26; Cl 4:6), devemos alertar ao povo de Deus que lá se encontra confuso:

“Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos” (Ap 18:4.)

“O servo do Senhor não deve andar brigando, mas deve tratar todos com educação. Deve ser um mestre bom e paciente, que corrige com delicadeza aqueles que são contra ele. Pois pode ser que Deus dê a eles a oportunidade de se arrependerem e de virem a conhecer a verdade. E assim voltarão ao seu perfeito juízo e escaparão da armadilha do Diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer.” (2Tim 2:24-26, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).

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